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Empresários traçam perspectivas para o setor industrial em 2017

Um expressivo público composto por empresários e executivos das empresas metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Caxias e Região participou nesta quarta-feira (19) do Seminário Perspectivas Econômicas 2017. O evento promovido pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico - SIMECS iniciou com a apresentação do presidente da entidade, Reomar Slaviero, que abordou o desempenho econômico e social das empresas do setor em Caxias do Sul no primeiro trimestre deste ano. Reomar Slaviero enfatizou que o setor metalmecânico confirmou o quadro difícil apresentando uma queda de 7,99% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses o desempenho foi negativo na ordem de 17,38%. Slaviero afirmou que mesmo havendo uma variação positiva de 23,96% no mês de março em relação a fevereiro deste ano, isso nada representa, diante da grave situação econômica enfrentada pelas empresas do segmento. “Na projeção para o ano, considerando a média dos três primeiros meses, teremos um faturamento em 2017 de R$ 10,4 bilhões. Em 2016 o faturamento foi de R$ 11,3 bilhões, queda de 20,9% em relação a 2015. No ano passado tivemos o menor faturamento dos últimos 11 anos”, acrescentou o dirigente do SIMECS. Com relação ao quadro de emprego, Reomar Slaviero enfatizou que entre março de 2014 a março de 2017, foram perdidas 17,5 mil vagas no setor. O quadro atual mostra um total de 33.850 postos de trabalho. “A notícia boa é que neste ano o saldo é positivo, de 839 postos de trabalho”, salientou.


APRESENTAÇÃO DOS SEGMENTOS ECONÔMICOS

Setor Ônibus - Paulo Gilberto Corso

“O setor fabricante de ônibus está enfrentando o seu pior momento nos últimos 40 anos”. Foi o que afirmou Paulo Corso, Diretor Comercial e Marketing da Marcopolo e Vice-presidente da Fabus ao abordar o tema ônibus. O empresário salientou que os fatores mais impactantes no segmento urbano foram: Eleições Municipais; Influência política na concessão de reajustes em tarifas; Evolução do PIB; Políticas de Mobilidade Urbana; Investimentos em infraestrutura urbana. Diminuição das linhas de crédito, aumento das taxas de juros e redução no percentual financiável. Atualmente em 80% com expectativas de redução a partir de 2018. Já no segmento rodoviário os fatores mais impactantes foram: Fretamento que sofreu forte influência da situação econômica, a retração da economia influencia diretamente a demanda por ônibus neste segmento; Transporte Interestadual: Definições de linhas pela ANTT; Aumento da Idade média de frota no país; Diminuição no número de passageiros; Crédito: Diminuição das linhas de crédito, aumento das taxas de juros e redução no percentual financiável. Atualmente em 80% com expectativas de redução a partir de 2018. Enquanto isso, no segmento micro-ônibus os principais fatores foram: Fretamento, que assim como no rodoviário, o micro sofre influência direta da economia; Programa Caminhos da Escola: Queda do Programa Caminhos da Escola; Não pagamento dos valores faturados às prefeituras pelo Caminho da Escola. Crédito: Diminuição das linhas de crédito, aumento das taxas de juros e redução no percentual financiável. Atualmente em 80% com expectativas de redução a partir de 2018.

Setor de tratores e implementos agrícolas - Edson Martins

Edson Martins, Diretor da Área Comercial da Agrale abordou a situação do mercado de tratores e implementos agrícolas e os efeitos da crise econômica neste setor. Segundo ele, o setor de agronegócio está crescendo no país oportunizando novas possibilidades de negócios. Ao traçar o cenário de oportunidades para este setor em 2017, Martins fez as seguintes citações: agricultor capitalizado; redução nos estoques mundiais de alimentos; continuidade do Programa Mais Alimentos; programas governamentais externos (Ex.: Mais Alimentos África); número de propriedades agrícolas no Brasil a serem exploradas: total de 5,0 milhões, sendo 4,8 milhões da agricultura familiar; número de hectares por trator; Brasil evidenciando-se cada vez mais como principal player no mercado internacional de commodities agrícolas. Já o cenário de ameaças alerta para o seguinte: bancos com alta restrição de crédito; linhas de crédito com taxas superiores às taxas utilizadas em 2014, em função do ajuste fiscal; preço dos principais commodities caindo em função da significativa valorização do Real frente às principais moedas (USD / EURO); supersafra no Brasil, onde já insinua a queda no preço dos commodities agrícolas; retração econômica / desaceleração mundial; menor volume de tratores dentro do Programa Mais Alimentos; descrédito gerado pela instabilidade política / econômica; operações da PF como a Carne Fraca e Lava Jato. Uma boa informação é que a venda de tratores no mercado nacional aumentou 50,4% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2016. No entanto, as vendas deste produto de 2013 até 2017 apresentaram uma retração de 34,70%.

Setor de Implementos Rodoviários - Alexandre Gazzi

Alexandre Gazzi, COO das empresas Randon e responsável pela divisão Montadoras fez uma apresentação geral sobre o mercado de implementos rodoviários no Brasil. “Estamos produzindo com os custos atuais (Mão de Obra + Aços + Insumos), com os preços médios de quatro anos atrás e os volumes de 20 anos atrás. A crise nos obrigou a ajustar as empresas. O tamanho do ajuste foi grande. Desmobilizamos, seguramos investimentos e focamos no caixa”, afirmou o empresário, ao salientar a forma como o setor vem enfrentando a crise. Conforme Gazzi, o setor de implementos rodoviários tem uma correlação com o PIB, mas não foi só o PIB que derrubou este segmento, e sim o farto crédito subsidiado que o setor recebeu. Uma dose de esteroides sem igual estimulando para além do seu nível estrutural. “Precisamos de mais PIB para vender mais, gerar resultados positivos para reinvestir”, acrescentou. Falando sobre o cenário para este ano, o industrial disse que o desemprego deverá manter trajetória de alta (acima de 12%) até o final do primeiro semestre de 2017. As vendas da indústria automobilística ficaram abaixo do esperado em janeiro de 2017, inclusive mais baixas que janeiro de 2016. A ociosidade da indústria de caminhões e ônibus permanece em 75%, enquanto que em automóveis e autopeças é de 50%. As Montadoras estão mantendo regimes de layoff e férias para 7 mil trabalhadores do setor. O cenário Político permanece em pauta, porém interferindo menos na retomada da economia. Restrições financeiras dos clientes diminuem a capacidade de investimentos em caminhões e semirreboques A ociosidade da frota permanece em patamares elevados. A taxa de juros de longo prazo (TJLP) deverá permanecer inalterada durante o primeiro trimestre de 2017 (7,5% a.a.); Indefinições com relação a resolução do Contran alterando o PBTC máximo de combinações de carga de 74 tons para 91 tons afetou negativamente o segmento de semirreboques canavieiros.

Setor Eletroeletrônico- Paulo Gehlen

Paulo Gehlen, CEO da Soprano comentou a realidade do mercado eletroeletrônico diante da crise econômica nacional. Gehlen disse que no primeiro trimestre de 2017 o setor apresentou discreto desempenho positivo. A perspectiva Para 2017 não estão previstas reações importantes na atividade do setor, dada a pequena taxa de crescimento esperada para o PIB. Para o faturamento da indústria eletroeletrônica,a estimativa é de crescimento de apenas 1% este ano, resultado de uma variação muito próxima da estabilidade em todos os segmentos do setor, situando-se entre menos 15 a 3% positivo. Deverá ocorrer pequena recuperação da taxa de investimento do país, de 15% do PIB em 2016 para 15,5% em 2017. O ambiente para o consumo deverá ainda ter influência do aumento da taxa de desemprego e da massa de rendimento real em queda no próximo ano. Tanto as exportações como as importações deverão ficar no mesmo nível de 2016, uma vez que o câmbio não deverá ter variação que possa trazer maior competitividade para a indústria. Paulo Gehhlen salientou também que a atividade do setor deverá continuar contraída, não estimulando a demanda de produtos do setor de importados, seja de componentes ou de produtos finais.

Avaliação econômica nacional e mundial – Constantin Jancsó

O Seminário encerrou com a palestra do economista Constantin Jancsó, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. Ele inicou fazendo uma projeção da economia internacional com a expectativa de juro subindo mais rápido nos EUA tem sustentado o dólar com relação às demais moedas. Eventual adoção de políticas econômicas protecionistas é um risco importante para o cenário. Risco geopolítico crescente com os últimos acontecimentos na Síria, na Coréia do Norte, tensões com a Rússia e China, etc. Europa: recuperação não homogênea – alta de juro só em 2018; China: PIB 1º tri (+6,9%) em linha com cenário de pouso suave. Em relação ao mercado nacional, Constantin salienta que apesar da crise econômica e política estar prejudicando o setor produtivo, já há sinais de alguma melhora ainda para este ano. “Esse momento de retração é uma boa hora para as empresas avaliarem o que é custo e o que é produtividade”, acrescentou. O economista aponta que para o país voltar a crescer de forma significativa é necessário que o governo realize urgente as reformas estruturais. Os indicadores projetam para este ano um PIB de 0,3% o que demonstra um pequeno sinal de modesta recuperação. Outra importante notícia positiva é a queda da inflação ( IPCA) que deverá fechar 2017 com um índice de 3,9%. Já a taxa de câmbio deverá fechar em R$3,10 e a Taxa Selic (taxa de juros) deverá cair para 8,50% ao ano. “O momento ainda é de muita cautela no mercado, mas o nível de confiança do empresário industrial voltou a crescer em abril e isso é muito importante para a recuperação econômica voltar ainda este ano”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação



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